Há uma erosão silenciosa — não apenas na música, mas no ensino, no discurso e na prática da fé. O que antes era sólido, fundamentado no estudo das Escrituras e na profundidade doutrinária, tem sido gradualmente substituído por uma experiência superficial, centrada na emoção imediata e em repetições vazias de frases de efeito. O resultado é um evangelho diluído, que forma crentes frágeis, desconhecedores das próprias bases de sua fé.
Os pais fundadores do adventismo, assim como os reformadores e os primeiros cristãos, construíram sobre a Rocha. Eles entendiam que a fé precisava de conteúdo, de convicção e de um caráter transformado pela verdade. Hoje, muitas vezes, trocamos a cruz por conforto, a santidade por entretenimento e o discipulado por adesão cultural.
Isso me lembra das palavras solenes de Cristo: “Nem todo o que me diz: ‘Senhor, Senhor!’ entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai” (Mateus 7:21). E o alerta ainda mais grave: “Apartai-vos de mim, nunca vos conheci” (v. 23). Essas palavras não foram dirigidas a ateus, mas a religiosos que pensavam servir a Deus, mas cuja prática havia se divorciado do verdadeiro evangelho.
Não se trata de saudosismo, mas de discernimento. Estamos nutrindo uma fé que salva, ou apenas acalentando sentimentos religiosos? A música, a pregação e o ensino devem nos conduzir a Cristo como Ele é — não a uma versão editada, adaptada ao gosto do mundo.
Que possamos, como povo, retornar à essência. Não por tradição cega, mas por fidelidade. Para que nossa adoração — em hinos, palavras e vida — volte a exaltar a Deus em espírito e em verdade, e prepare um povo capaz de discernir entre o santo e o superficial.
Que Deus nos guie de volta à Rocha.
by Wagner Miranda


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