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sexta-feira, 13 de março de 2026

Você realmente quer saber o que tem num hamburguer?

Em 2016, uma empresa de testes de alimentos (Clear Labs) fez um estudo e encontrou traços mínimos de DNA humano em uma pequena porcentagem de diversos produtos (hot dogs/hambúrgueres), mas isso é geralmente atribuído a contaminação cruzada microscópica durante o processamento/manipulação, não ao uso intencional de carne humana. Segundo os estudos, pode chegar a 2% do produto final.

Dizem que é mentira (fake news), mas os brasileiros são experts nestes papos de "fake news", já que toda empresa de pesquisa - em qualquer parte do mundo, tende a ser de uma posição politica duvidosa, especialistas em mentiras. Então levemos em consideração os números do MC Donald's que foi um dos mais prejudicados com a notícia: O McDonald's vende: - 75 hambúrgueres por segundo - 4.500 por minuto - 270.000 por hora - 6.480.000 por dia - 194.400.000 por mês - 2.365.200.000 por ano Cada hambúrguer tem cerca de 45g de carne. Por tanto o consumo total de carne é: - Por segundo: 3,375 kg - Por minuto: 202,5 kg - Por hora: 12.150 kg (12,15 toneladas) - Por dia: 291.600 kg (291,6 toneladas) - Por mês: 8.875.575 kg (considerando a média de 30,44 dias) - Por ano: 106.506.900 kg (~106.507 toneladas) Para suprir esta demanda, precisa-se de bois com 220kg de carne, o que leva a: - 1.325 bois (aproximadamente) por dia - 40.344 bois (média de 30,44 dias) por mês - 484.122 bois por ano Considerando-se os 2% deste volume de carne, temos: - Por segundo: 0,0675 kg (67,5 gramas) - Por minuto: 4,05 kg - Por hora: 243 kg - Por dia: 5.832 kg (5,83 toneladas) - Por mês: 177.511 kg (177,5 toneladas) - Por ano: 2.130.138 kg (2,13 mil toneladas) Para suprir esta demanda de 2%, são necessários: - Por segundo: 0,0024 pessoas (em média de 70 kg, gerando 28kg de carne) - Por minuto: 0,14 pessoas - Por hora: 8,7 pessoas - Por dia: 208 pessoas - Por mês: 6.340 pessoas - Por ano: 76.076 pessoas Esse número representa menos de um milésimo de 1% da população mundial que é de 8,3bi (0,000916%) e corresponde a "apenas" 7,60% das crianças e jovens que desaparecem anualmente - cerca de 1 milhão (lamentável), sem falar dos outros milhões de desaparecidos não computados (lamentável isso em plano século XXI). Mas esse número de 76.076 é menor que os desaparecidos no Brasil em 2025 que chegou a 84.760 casos registrados (232 pessoas por dia). Pelo menos 56.688 foram localizadas, mas lamentávelmente 28.072 brasileiros, não se sabe o destino.
Se levar todos os números - do Brasil e do mundo em conta, seria possível o uso dos 2% sem qualquer suspeita, através de redes organizadas como as redes do caso Epstein, a qual - com certeza, é apenas a ponta do iceberg.

Sendo assim, que Deus proteja cada um de nós, pois o que está oculto, poucos realmente sabem.

by Wagner Miranda

Food Safety News – análises de DNA em alimentos processados
CBC - Você realmente quer saber o que tem num hamburguer?

domingo, 30 de agosto de 2020

Pancadão no centro de Jequié-BA

Nesta noite (29), um bar famoso por incomodar a vizinhança promoveu mais um pancadão em praça pública na noite de sábado para domingo, deixando moradores indignados com tamanha falta de respeito pela paz alheia. O bar manteve as portas fechadas para disfarçar, mas atendia em forma de Delivery, comercializando bebidas e petiscos até o final da muvuca.

Moradores que já acionaram a polícia afirmam não saber mais a quem recorrer, já que a justiça na cidade faz vistas grossas à situação que se repete periodicamente, transgredindo leis federais como o artigo 42 do Decreto-Lei n° 3.688/41 estabelece prisão de 15 dias a 03 meses ou multa para quem perturbar o sossego sob qualquer meio, seja através de uma festa noturna, uso de instrumentos musicais ou qualquer forma de barulho e a resolução 624/2016 do Contran atualizada em 2019. 

Mesmo com tantas leis, de nada adianta a reivindicação de moradores que pagam seus impostos e taxas municipais. Como sempre, são ignorados e a muvuca continua acontecendo, mesmo em época de pandemia onde a aglomeração na teoria é proibida.

by Wagner Miranda

terça-feira, 2 de maio de 2017

Golpe das Panelas em Jequié

Golpe das Panelas em Jequié

O brasileiro é especialista em desenvolver formas de se dar bem sobre os outros. Sempre surgem golpes novos ou a reformulação de golpes antigos. Um golpe velho já muito utilizado e que continua em alta é o famoso "Golpe das Panelas" que possui diversas variações, desde a apresentação de um produto original, a negociação e entrega de um genérico de péssima qualidade que o cliente só perceberá quando for usar até a venda real de um produto de qualidade por valores bem abaixo do mercado, porém o diferencial é que só aceitam pagamento via cartão de crédito ou débito, pois o golpe está exatamente aí. A máquina que utilizam para fazer o parcelamento da dívida está "batizada", e eles coletam os dados e senha digitados e, posteriormente, zeram seu cartão com compras que você só perceberá quando chegar a fatura.

Os indivíduos que estão atuando em Jequié fazem uso deste método. Eles apresentam uma proposta tentadora, onde um jogo de panela inox que custa R$ 2.500,00 em média - até fazem consulta na internet para comprovar, estão repassando pela metade do preço, e sob negociação pode cair muito mais e ainda ter a opção de pagar em parcelas bem levinhas, pois, segundo eles, após participarem de um evento, "este ou estes jogos de panela sobraram", e o custo de envio de volta ficaria muito caro, por isso estariam vendendo pela metade do valor.

Diante de tantas "comprovações" e com uma lábia treinada, a vitima desejando o produto, acaba cedendo e caindo na malha fina dos golpistas.

Caso você tenha comprado, ligue imediatamente para o banco e troque o seu cartão, peça uma troca completa de números e senhas. Mantenha a compra, caso tenha recebido as panelas. Mas não permita que façam nenhuma negociação sem a sua autorização bloqueando o cartão.

Fique atento, somos um país especialista em aplicar golpes. E temos esses profissionais atuando em nosso quintal.

Wagner Miranda

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Atacadão embargado pela mesma prefeitura que nem deveria ter autorizado naquele local


Lamentavelmente aconteceu: O Atacadão Açaí foi interditado, mesmo estando com as obras bem avançadas. O problema maior é que a culpada de todo o processo é a Prefeitura Municipal de Jequié, pois nenhum empreendimento deste porte é iniciado sem a aprovação dos "engenheiros" da prefeitura. Já estamos batendo nesta tecla a muito tempo e nenhum órgão da cidade se interessou em resolver o problema antes do inicio das obras. A ONG OGTREC fez um dossiê detalhado e encaminhou ao Ministério Público de Jequié, antes mesmo do início das obras (Veja-se matéria anterior), e mesmo assim a prefeitura autorizou o empreendimento.



Muitos ainda perguntam sobre o motivo, mas basta nos lembrarmos do Shopping em São Paulo que foi interditado por risco de explosão para entendermos. Esta área em primeira instância, é uma APP - Área de Preservação Permanente, pois é o local onde as águas derivadas das chuvas se encontram, e evitam inundações, sendo assim este espaço deveria ser transformado numa área verde, uma praça, etc, mas nunca ser utilizado para construção privada, principalmente deste porte.

O outro grande problema é que na falta de saneamento básico, as fezes do Mutirão, área invadida, todos os dejetos humanos eram despejados neste local, criando acúmulo de fezes no terreno e para completar o problema, o aterro foi feito de forma arbitrária utilizando-se lixo de toda espécie  (veja-se fotos na matéria anterior), inclusive restos orgânico com corpos de animais. O problema é que este tipo de aterro leva alguns anos para se decompor, e no subsolo vai formando bolsões de gases que pode explodir a qualquer momento, como ocorreu no shopping paulista. Além de tudo isso, sem um planejamento para descarte das águas quando no período das chuvas, a mesma se acumula e invade a casa dos moradores, destruindo e desvalorizando os imóveis da região. Já é sabido que, mesmo antes da construção, mas por conta dos aterros iniciados, teve ruas que registraram mais de 1,1/2 metros de água, levando alguns moradores a abandonarem suas residências e outros a construírem seus imóveis nas "alturas". Veja fotos abaixo:           



Mas se você duvida que aquela área continha uma lagoa ativa, onde diversos pássaros e outros animais faziam residência, observe as fotos a seguir e tire suas próprias conclusões, pois imagem é tudo.                                




E se ainda duvida da localização das fotos, veja uma imagem de satélite captada em 2012, antes da depredação efetuada pela prefeitura, e veja os pontos de água que foram registrados pelos satélites do Google:
                    

Tudo está registrado num dossiê que chegou às mãos dos responsáveis em defender a população, mas nada foi feito. A ONG OGTREC deixa claro que não luta contra o empreendimento, mas contra a localização onde está sendo construído, o qual já foi implantado sobre uma área de preservação ambiental, e os maiores prejudicados com toda essa artimanha dos representantes da prefeitura são a população e o grupo responsável pelo empreendimento que acabará gastando mais que o previsto numa obra que já deveria estar sendo inaugurada em um terreno que a ong conseguiu gratuitamente e longe de APP.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Lagoa das Garças aterrada com Lixo para construção do Atacadão Açaí

O aterro da Lagoa das Garças, área de APP (Área de Preservação Permanente), foi feita com lixo incluindo óleo, restos biológicos, restos hospitalares, roupas, móveis, louças, gesso, sacos plásticos, madeiras, etc. No local está sendo construído o empreendimento Atacadão Açaí do Grupo Pão de Açúcar, e o mesmo adquiriu a área de APP, aterrada ilegalmente com lixo, pelo valor de $ 12 milhões (incluindo a área do futuro shopping) segundo informações de pessoas próximas. Mesmo sabendo que a área é de Preservação Permanente, o grupo adquiriu o espaço com a conivência da Prefeitura Municipal de Jequié, a qual não foi avaliada por nenhum órgão responsável e, ao ser informado sobre o problema, o Ministério Público se manteve omisso segundo o ofício mostrado na matéria anterior.






Dossiê "Denuncias Educativas Sustentáveis" produzido pela OGTREC apresenta denúncias sérias contra a administração Pública de Jequié

Segue parte do Dossiê apresentado pela OGTREC, sendo apenas o Ofício nº 011/2014, onde são esclarecidas diversas implicações da invasão à área de APP com autorização das autoridades locais segundo a ONG.




Oficio Nº 011/2014
Jequié 11 de Julho de 2014
Excelentíssima Promotora de Justiça
Dra. Monia Lopes de Souza
Assunto: Denuncias Educativas Sustentáveis

A ONG OGTREC (Organização de Geração de Trabalho Renda Empreendedorismo e Cidadania) organização civil, sem fins lucrativos, localizada à Rua 25, quadra 09, Nº 03, Loteamento Amaralina, Bairro São José, em Jequié, estado da Bahia, CEP 45.203.700, Tel. Cel. 73(88037144 CNPJ de Nº08). 797.642/0001-75. Excelentíssimo Promotora. “Infelizmente, alguns de nossos governantes não parecem cumpridores das diretrizes ostentadas na Bandeira Nacional. A frase, “Ordem e Progresso”, diz muito. Assim como os valores que representa. Diante disto, a triste constatação de  notarmos que não estaremos formando cidadãos honestos em nosso tempo, se não dermos  exemplos aos jovens de gerações vindouras, obviamente, os que seguem pelo lado mais fácil, deixam uma trilha tortuosa a ser seguida, um legado do mal, que degrada, ostenta e destrói a sociedade, prevalecendo assim às iniquidades, que elitizadas, tornam-se comuns e potencializadas, onde o que parece importar, não é fazer homens de bem e sim homens de bens”. 
Neste sentido, a ONG OGTREC vem mais uma vez, respeitosamente, pedir providencia e vistas aos licenciamentos emitidos irregularmente em áreas ambientais, as quais se tornam práticas nocivas, chegando a ser até imorais. Apesar de constantemente denunciadas, há fortes indícios para acreditarmos que alguns servidores públicos facilitam ou favoreçam licenciamentos a empresários de maneira irregular, consequentemente causando grandes problemas nas áreas ambientais da cidade como se fosse algo normal. (Um favorzinho para amigos).
Numa denuncia protocolada sob Nº 007as 17h17min em 6/02/2013, juntamente acompanhada do abaixo assinado anexado ao verso, diz que em 2013 foram registrados grandes prejuízos durante as ultimas chuvas das águas. Consequentemente estas áreas sofreram inundações proporcionadas por aterros irregulares, sendo o principal feito em uma área natural de escoamento de águas pluviais. Na construção do Condomínio Reserva das Mangueiras, a Rua São José Nº 333, CEP 45.204.110, Bairro São José no Loteamento Paquetá. Foi um destes exemplos (ver foto 001). Insistimos em dizer que esta prática tende repetir em maiores proporções nas próximas chuvas. A única saída natural de água existente que serviria à Lagoa das Garças como escoadouro natural, também acumuladora de águas pluvial vindas normalmente do Riacho Caldeirão Verde, o que aconteceu no período das chuvas das águas entre os meses de outubro a março de 2013/2014. Após a interrupção do mesmo. No antigo acesso foram colocados dois tubos de 0,50 de diâmetro (foto 002), obviamente mal dimensionados, não dando vazão suficiente causando uma grande inundação e prejuízos aos moradores.
Acontece que a capacidade de liberação das águas a jusante, subiram, posto que a quantidade de água a montante precisasse de um diâmetro 1000 vezes maior do que a água liberada no escoamento dos tubos fixados, causando transbordamento e uma grande inundação nas áreas adjacentes. Ver fotos em anexo demonstradas nas ilustrações enumeradas: 003, 004, 005, 006, 007. Procede-se à instauração de Inquérito Civil Público, Nº 05/2013, SIMP Nº 608.0. 125437/2013 Notificando a Prefeitura Municipal de Jequié. Neste mesmo tempo, apresentando também outras prorrogativas de denuncias através do Ofício de Nº015/2013 OGTREC, envolvendo as mesmas denuncias e a localização e redação sobre novos fatos e ainda a retirada de areia de maneira predatória, o que ainda está acontecendo sem providencias. (ver foto 011, 012).
 Registros foram feitos dos fatos que comprovassem realmente a grande irresponsabilidade gerada, e só atribuída a facilitações da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente. Seria inocente dizer que uma suposta falta de conhecimento dos representantes responsáveis, relacionadas também a falta de conhecimento frente aos serviços ambientais “desenvolvidos” denotando a falta de comunicação entre secretarias e órgãos fiscalizadores, o que seria impossível admitir, pois demonstraria incompetência do gestor na indicação dos cargos, inconcebíveis de pensarmos que apenas fosse pensado o caráter político, ficando bem aquém da competência e da ausência de pareceres técnicos ambientais e estudos de EIA-RIMAs. Assim fica confirmada a primeira hipótese, irresponsável e fraudulenta só justificada vistas nas constantes liberações irresponsavelmente liberadas por toda a cidade.
Os prejuízos chegam á população que através das incansáveis e inúmeras denuncias anteriores feitas pela ONG OGTREC, falando e alertando sobre este mesmo tema, inclusive sobre a má atuação do Conselho de Meio Ambiente, (CONDEMA), que mais uma vez, mostra-se omisso e evasivo. Assim, a OGTREC e moradores desesperados e amedrontados enviaram apelos através do abaixo assinado em anexo contendo 48 assinaturas. Foi apresentado e protocolado um documento sob Nº 002/2014, no dia 12 de Agosto de 2014 e imediatamente encaminhado ao Ministério Publico Federal, através da Procuradoria Pública de Jequié, aos cuidados do excelentíssimo procuradora Dr. Clayton Ricardo de Jesus Santos, que através do parecer técnico justificou no Ofício de Nº 221/2014/PRM/JQ/GAB. Esclarecendo que o caso não seria da competência dos entes federais, apesar das provas, registros, depoimentos e fotografias apresentados na ocasião, inclusive em alguns condomínios de autoria da Caixa Econômica Federal, Programa Minha Casa Minha Vida, que é da competência da Federação.
 O promotor através do Ministério Publico Federal não poderia ignorar  fatos tão relevantes, já que constatados os acontecimentos ocorridos em um município que também faz parte do Território Nacional, pois é  parte do mesmo  Estado,  fazendo  parte do ente Federal, envolvendo a Caixa Econômica  Federal, que é um ente Federal, mesmo porque as denuncias que poderiam ser preventivas, tomam caráter de tragédia, envolvendo vitimas, que emergencialmente teriam que serem socorridas por programas do ente Federal, assim, fica claro a falta de atuação do MPF, que analisou os fatos em uma ótica local, e  mais do que nunca não poderíamos esquecer a relação entre ambos, pois  afinal, o que prejudica parte do corpo é sentido no corpo todo.
 Na realidade estas denuncias nunca foram devidamente apuradas sem que surtissem qualquer efeito punitivo, ou sequer educativo. Os culpados nunca foram autuados, pois toma um caráter de não indisposição frente aos responsáveis. Estas autuações inclusive poderiam gerar renda e ser revertidas em programas ou projetos ambientais. Em suma as denuncias não foram levadas a sério, nada acontecendo aos responsáveis sendo colocada a culpa no elemento natureza, a chuva.
Os erros avançam perdurando durante gestões sucessivas, perdem-se espaços ambientais importantes e incentivam-se novos problemas. As ações são exclusivamente observadas no viés econômico favorável ao empreendedor, que se omite sobre a obrigação social, causando novos danos ambientais, que irão causar grandes problemas e despesas aos cofres públicos. Assim, estes também fazem ouvido de mercador e tudo volta ao normal, como dizem na gíria. Mais uma vez repetem todos os erros que mais uma vez serão potencializados novos prejuízos por toda a cidade.
Nossa preocupação maior é com a Lagoa das Garças, deságuo das chuvas das águas que escoam do boqueirão do Riacho Caldeirão Verde em direção a cidade. Servindo de esponja natural, sendo também berçário de peixes durante a piracema. Aves silvestres que construíam seus ninhos para a procriação durante os meses da primavera até chegar o outono. Seu leito foi interrompido em diversos locais com entulhos jogados pela própria Prefeitura Municipal e construções que seguem avançando por diversas gestões, descaracterizando toda a área. Seguem as enchentes e os prejuízos, alagando casas, colégios, armazéns etc.. São danos econômicos aos moradores e a cidade, consequentemente neste mesmo tempo a sede da Rádio do Povo teve as suas instalações prejudicadas, as pessoas ficaram completamente ilhadas e sujeito ao afogamento, ameaçando também moradores das comunidades do Loteamento Amaralina, São Judas Tadeu, Parque das Algaroba, Loteamento Paquetá, os quais passaram sérias dificuldades.  Seria necessária a demarcação destes espaços imediatamente, procedendo com a revitalização e limpeza da área por uma equipe técnica, demarcando continuamente a área ambiental desde o início do estuário, onde mais uma vez sofre com violentas intervenções em todo o seu curso. Esta área inicia desde a propriedade do Sr. Gilson Brito, e seu filho Gilmácio Lobo Silva proprietário da empresa Brito&Lobo, onde está abrindo um novo loteamento, onde o Riacho Caldeirão Verde, antiga estrada boiadeiro pertencente a União, no Ofício 002/2013, OGTREC e Parecer Técnico SIMP 608.0.240008/2012  sofre violentas intervenções. Apresentado conforme fotografias em anexo e documentos relacionados.
No Parecer Técnico de Nº 237/2013 solicitado pelo MP e realizado pela urbanista Karine Fernandes Guermandi, ficaram apenas registros e anotações simples, não sendo nada substancial em relação a qualquer providencia, (fotos de Nº008) sugerindo uma abertura de vala no final do estuário, apenas constatando que a área seria um local aparentemente de contenção de água de chuvas. Ainda neste laudo diz que de acordo com a Lei 6.766/1979 a qual dispõe sobe o Parcelamento do Solo Urbano, não é permitido o parcelamento em áreas de alagadiços sujeito a alagamentos sem que tomem as medidas necessárias, ou seja, o escoamento das águas que pode ser passiva de ou não reconhecimento, como área ambiental o que nos preocupa muito, e afirmamos não ser verdade, pois esta área é uma área ambiental, um lago natural que vem sendo descaracterizado desde gestões anteriores e agora com a abertura da vala descaracteriza a área ambiental. Só para titulo de atestar, sugerimos contratar uma equipe técnica indicada pelo MP, para apresentar um laudo oficial e fazer a perícia de identificação da referida área que em terrenos onde as condições geológicas não aconselham a edificação, (ver fotos superpostas apresentadas. Atestam que a área é realmente ambiental desde a sua nascente no Riacho Caldeirão Verde que fazem parte do mesmo estuário). Mesmo assim, a urbanista sugere que o poder público da cidade de Jequié, apresente um projeto de sistema de drenagem das águas pluviais, contemplando toda a área urbana da sede municipal, assim como projeto de drenagem pluvial para a concessão de alvarás. (Verificar este documento se existe).
Nesta demanda o técnico foi acompanhado estranhamente por um dos representantes do grupo Brito&Lobo, parte ré, representante dos verdadeiros causadores dos danos ambientais, prestando depoimento favorável aos mesmos, sendo que nós, a ONG OGTREC, não foram convidados. Em sua versão diz que a área poderia ser construída se fizerem um dreno, como mostrado na foto de Nº 008. Diante do pouco caso. O tempo passa sem nenhuma resolução, e mais uma vez, chega uma frente fria e as chuvas das águas caíram novamente com maior rigor. Os moradores que mal se recuperaram dos prejuízos anteriores, pela segunda vez ver as águas chegaram a suas casas. Preocupados e revoltados, reuniram-se desesperados fechando uma área pública, a Avenida Cesar Borges. Fizeram um memorável protesto. (ver na foto 009 E 010). Enquanto aguardava os encaminhamentos anteriormente feitos à Promotoria Regional. Providencias foram ignoradas por tantas vezes. (Pedimos a reabertura do processo para o ressarcimento dos prejuízos causados).
Assim como estas e outras denuncias foram feitas e muitas advertências afirmadas à própria Promotoria, especialmente endereçadas ao Promotor Maurício Fultz Cavalcante no dia 09 de Maio de 21014 relatando especificamente sobre o mesmo assunto e prevenindo sobre a invasão e venda da área ambiental Lagoa das Garças, evidenciando todos os fatos, envolvendo também os mecanismos utilizados em licenciamentos irregulares nas áreas ambientais que tiveram como causa, tragédias, esquece-se de educar os infratores, que desviam também o sentido de preservação de determinada área não demarcada, destruindo todo o acervo natural com lixo, (foto de Nº ) que  transmuta a paisagem para fins de construções e empreendimentos irregulares, não havendo qualquer tipo de punição ou benefício para a cidade.
Este é mais um exemplo das intervenções irresponsáveis e sem nenhum critério, resultante em tragédias por conta dos licenciamentos explicitamente expedidos, e sem a realização dos devidos estudos de impacto ambiental, EIA - RIMA, gerando grandes prejuízos materiais para a população, danos ambientais no sistema hídrico da bacia, do lago, dos rios, que estão sendo gradativamente entulhados e assoreados, com a omissão anteriormente do próprio MP Estadual, que pareceu-nos ignorar fatos importantíssimos, podendo o mesmo ter solicitado a demarcação das áreas ambientais que fazem parte do perímetro urbano do município. Ao invés disto, fecha os olhos, enquanto as secretarias que libera a referida área para um grande empreendimento. O Açaí Atacadista.  Que ocupará 30% da área do estuário.
O licenciamento foi concedido em tempo recorde, e observamos que o local já foi parcialmente cercado por tapumes, onde tratores procedem na supressão e limpeza total da vegetação. A fauna aquática é morta com prejuízos irreparáveis e descaracterizando toda a área, que está amplamente sendo aterrada. Criando ainda um sobre piso de cascalho compactando a área para dar início as construções e instalações do empreendimento em tempo recorde.  Informamos que a Promotoria Regional ainda que ciente de todos estes fatos, e mesmo sendo advertida anteriormente na denuncia de Ofício 09/2014, ainda assim permite que tramitem tais licenciamentos sem maiores problemas.
O pior é que tudo isto é feito entre quatro paredes nos órgãos responsáveis, que deveria orientar educativamente. Na realidade, se agrupam e apossam-se das áreas ambientais sem nada pedir em troca.  Ninguém é responsabilizado pelos danos causados e o que poderia ser um empreendimento estudado ou ser incorporado um projeto ambiental de grandeza relevante, simplesmente ocupam as áreas ambientais gratuitamente, no sentido de negar benfeitorias para a cidade, trazendo como consequência grandes prejuízos para a população e para o Planeta. Uma ação contraria ao que propõe o Ministério das Cidades quanto ao desenvolvimento sustentável.
 Em 2014, em resposta a constante denuncia a Prefeitura Municipal de Jequié, que, sem consultar qualquer empresa técnica para fazer o estudo de caso, e ou, oferecer um projeto sustentável na área, simplesmente abre uma vertente viabilizando novos empreendimentos irregulares nas áreas beneficiando apenas uma família. A prefeitura para ajudar, apenas abre uma valeta aleatoriamente construída, onde se coloca um tubo de 1000 mm, que se tornará também ineficiente, permitindo a falsa sensação de legibilidade e dever comprido. Assim possa-se a sensação de legalidade, permitindo a venda de mais terrenos, dando andamento aos referidos licenciamentos. Ignoram-se as leis, e os erros tornam-se cada vez mais regulares.  Seguem os mesmos atores locais, que de maneira torpe, tripudia sobre nós e diz? (Aqui com jeitinho a gente consegue tudo), assim o lago é exterminado para sempre o lago, ficando apenas um legado negativo.
Decepcionados e descrentes, e sem as garantias de mesmo sermos ouvidos novamente, mais uma vez temerosos ao insistir em apresentar novas denuncia, pois estas se tornaram repetitivas, sem soluções e com grande possibilidade de reversão sobre nós denunciantes, pois estamos agora correndo o risco de passarmos a ser réus. “Dizem que; uma mentira sendo dita muitas vezes, toma-se uma conotação de verdade, e uma verdade sendo desmentidas várias vezes, torna-se uma mentira irreversível”. Enquanto isto o quadro se agrava, tomando um caminho perigoso, permitindo abusos de poder. As práticas continuam repetidas, erros são cometidos, não se veem adotar qualquer medida punitiva. Isto vem acontecendo desde gestões anteriores, as quais em certa ocasião, o CONDEMA foi notificado como inatuante, mesmo assim as práticas continuam rotineiras e lesivas as leis ambientais, causando em nós a sensação de impunidade e ineficácia, principalmente desrespeitando o Plano Diretor e a Constituição Federal.
Desesperadamente pensamos mais uma vez em apelar para a esfera Federal de Promotoria de Justiça na esperança de intervir junto à promotoria Regional, visto que esta esteve nos últimos anos praticamente complacente com as questões aqui expostas. As denuncias enumeradas amontoam-se e aumenta a cada dia, e diz algo sobre tais omissões, envolvendo licenciamentos irregulares expedidos pela Prefeitura Municipal de Jequié, através das Secretarias de Infra Estrutura e de Agricultura e Meio Ambiente, que concedem aleatoriamente ao setor empresarial e setor de construções civis, elementos fictícios para expedição de guias, alvarás de construções, concedidos sem sequer fazer estudos de impactos ambientais ou qualquer outro tipo de estudo ou vistoria.
 Certamente, com tão importantes agravantes ao que parece engavetados, ficam as demandas e os prejuízos sociais e ambientais a mercê do tempo, aparecendo apenas nos registros dos jornais e nos eventuais comentários na mídia oriundos da má gestão pública e na conivência entre atores e omissão da Promotoria Regional.
 Continua os favorecimentos ilícitos e a troca de benefícios políticos, ficando o engodo a cargo de alguns dos diretores das secretarias, que de maneira irresponsável, expedem os licenciamentos em troca de benefícios próprios, ou em benefício dos interesses políticos dos grupos aos quais representam, para que trabalham para não perder o poder e ainda quando questionado parte agressivamente com xingamentos e danos morais.
Aponta-se também a questão da falta de funcionamento do órgão colegiado CONDEMA, com representação paritária dos setores sociais e pelo Conselho de Meio Ambiente, que hora tem na promotoria um importante assento regulamentador e fiscalizador, deveria sim, em consonância com o conselho, adotar certas medidas, dando suporte legal aos licenciamentos de maneira positiva e participativa, isentando membros do conselho da culpa, retirando também toda a pressão que recai sobre O MP e conselheiros e as próprias Secretarias. 
O conselho foi criado desde gestões anteriores, mas nunca foi efetivado devidamente, ou sequer, teve seu estatuto aprovado para funcionar na forma da lei como deveria. Sequer existe legalmente, ficando engavetado seu regimento na Prefeitura Municipal, que ficticiamente aprova seus representantes sem efetivar ou aprovar na Câmara de Vereadores. Ficando apenas como elemento “existente”, mas sem legalidade, já que não foi constituído devidamente, portanto não regulamentado.
Não foram criadas as câmeras técnicas que daria suporte a presidência, que também fica ainda a cargo do Secretário da Agricultura e Meio Ambiente. Ser presidente, também gestor da secretaria e presidente do Conselho, toma  caráter bilateral, pois o conselho não pode ter como presidente um Secretário, como órgão expedidor de licenciamentos e presidente, órgão fiscalizador, ainda tendo como atenuante a não atuação oficial de conselho.
As reuniões ficaram restritas as mesmas pessoas tomando caráter de domínio, sendo que as vezes que se reuniram, foram oportunamente para escolha do presidente em reuniões pontuais, sem a participação expressiva de seus membros, perdendo a sua verdadeira função e eficácia.
 O conselho então passa a ser desacreditado e inatuante, ficando as resoluções a cargo restrito e domínio exclusivo da Secretaria da Agricultura Irrigação e Meio Ambiente, de onde sai irresponsavelmente todas as aprovações e desaprovações nos licenciamentos a bel prazer do diretor de meio ambiente e supostamente endossado pelo seu secretário, que ao que parece, sem questionamentos, pois o CONDEMA nunca é reunido ou consultado, assim seus representantes, pessoas dos diversos setores, ficando mal vistos.
Engajado nesta luta e não tendo nada mais a denunciar na esfera Regional da Promotoria, por desacreditar, a ONG OGTREC como representante do terceiro setor, acreditando que ainda haja pessoas de caráter ilibado, pede a intervenção mais uma vez desta Promotoria Regional, visto que, com a cadeira oferecida a uma pessoa com ampla visão do assunto como a Excelentíssima Promotora Monia Lopes, abre-se esperanças de que possamos ser vistos, não como agentes de contendas, e sim, pessoas que buscam um equilíbrio e pensam num futuro melhor e sustentável.
Esperamos que a excelentíssima senhora convocasse membros do colegiado e fizesse um acompanhamento detalhado na pauta e conselheiros, visto as necessidades. Assim convidaria a conhecer titulares, suplentes, presidentes para uma nova composição, pois como é do nosso saber, alguns dos membros repetem mandato a mais de quatro períodos durante a construção do colegiado nos mandatos subsequentes.
Solidário a causa ambiental e sabendo que a ultima eleição foi imposta a eleição de presidente, que estrategicamente indicado o Secretario de Agricultura e Meio Ambiente. Solicitamos um novo presidente eleito democraticamente em votação, e após proceder também na escolha dos membros do colegiado inclusive com a participação de mais representações do terceiro setor, a ONG OGTREC, procedendo assim com a formação das câmeras técnicas e plenária, para exercer plenamente o mandato, como manda o regulamento do Regimento Interno, acontecendo reuniões mensais e votadas efetivamente para proceder na renovação do quadro atual com membros do conselho que possam opinar descentemente. Desta forma, podendo realizar realmente uma gestão compartilhada.
Reiterando que estes acontecimentos vêm desde o final da gestão período 2009/2012, mas que estão dando continuidade aos mesmos erros, pois seguem empregadas as mesmas pessoas que ocupam cargos de confiança.
Em tempo, pedimos a intervenção imediata sobre estes licenciamentos hora concedidos e denunciados, onde já está em fase de construção alguns empreendimentos, sendo em área ambiental de Lagoa Natural, áreas de APPs, Lagoa das Garças, a esquerda sentido centro, na Av. Cesar Borges, que consequentemente, as águas pluviais estarão sendo barradas. Adverte-se que ocorrerão grandes problemas, além de perdermos a oportunidade de construir uma grande área ambiental para a cidade. Sem este pensamento poderia desencadear   novos problemas na parte já afetada do Loteamento Paquetá, que já foi vitima de enchentes com muito menos intervenções no local do que a que está sendo feita agora.
 Assim, nada mais tendo a acrescentar, fica a “denuncia” com conotação de cobrar educação tal qual também advertências, e um pedido de troca de paradigma, ate mesmo a escolha entre permanecer nos erros e serem penalizados ou aceitar as leis do país como uma nova chance. E para quem quer continuar se beneficiando ou beneficiando os seus padrinhos, afilhados e grupos políticos. Assim sem mais nada para o momento, pedimos providencias imediatas. Atenciosamente.  


Julival Cardoso Pereira
Presidente da ONG OGTREC
Consultoria ambiental
          

Provas arquivo  /  Ilustrações


Foto/ 001 - Inundação. Saída de água interrompida, fundo Cond. Reserva das Mangueiras Lagoa das Garças, onde se ver grande quantidade de dejetos. 


 Foto de Nº 02 - Saídas de água com diâmetro de 0,50 ineficientemente dimensionadas. 

Foto 003/ Inundação. A vazão da água a montante, torna-se crítica em direção a jusante, tendo com o receptor o Rio Jequiezinho, causando transbordo na área anterior inundando as casas. Observe a quebra de barrancos devido a fúria das águas. 

 Foto N° 004 - Entrada de água provenientes de o Riacho Caldeirão Verde, 24 horas após as chuvas. Observe que parte da água vem diretamente do Condomínio Pindorama, águas do Córrego dos Umbuzeiros, passando pela rua M, que foi sumariamente aterrada, as ruas centrais sem rede fluvial, onde derrubou um muro de mais de 100 metros, a quantidade de água é superior  a 1000 metros cúbicos p/segundo,  Lagoa Pindorama.

Foto de Nº 05 - Área inundada, abarcando uma escola, um galpão de móveis e dezenas de residências, Rua São José, Loteamento Paquetá. A água alcança 2,0 acima do nível de altura da Rua São José alcançando até a Av. Cesar Borges, Posto Borda da Mata.

Foto de Nº 06 – Escola totalmente inundada Rua São José, Loteamento Paquetá.

Foto de Nº 07 - Residências totalmente  inundadas Loteamento Paquetá

Fotos de Nº 08 - Tentativa de abertura de uma vala sem resultados durante as chuvas. Lateral da Av. Cesar Borges vizinho ao Loteamento Paquetá.

Foto de Nº 09 - Policiamento para conter os moradores desesperados frente aos prejuízos causados.

Foto Nº 10 - Policiais para conter moradores.

 Fotos superpostas

Tomada de ângulos sequenciais do Lago das Garças. Vemos a qualificação e características da área como ambiental comprovada através de fotos históricas onde na sequência observamos a quantidade de água e plantas aquáticas.

Fotos 011 e 012 - Retirada de areia desordenado, causando grande impacto no leito do rio. Sugerimos o acompanhamento do MP e vista aos licenciamentos concedidos e indicação no acompanhamento dos serviços de retirada de areia por técnico especialista ambiental e obrigatoriedade de pagamento ambiental em relação a areia retirada, estabelecer uma taxa.

Fotos do estuário lagoa das garças sendo descaracterizado por lixo urbano.
Caminhão jogando o lixo da empresa torres, desde a gestão anterior.

Patrol da Prefeitura Municipal de Jequié espalhando lixo, inclusive também da foto abaixo.


 Veja mais fotos na matéria seguinte.

sábado, 30 de agosto de 2014

Ranking mundial colocou o Brasil entre os piores no ensino de matemática



Levantamento do Movimento Todos pela Educação, feito com exclusividade para o G1, aponta que controlar de perto a lição de casa, oferecer aulas de reforço, incentivar e estimular os professores, e aproveitar parcerias com o governo são algumas das medidas adotadas por dez escolas públicas brasileiras consideradas "bons exemplos" no ensino de matemática. Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2012, divulgados na terça-feira (3), apontam que o Brasil melhorou no conhecimento da disciplina, mas ainda tem muito a avançar. O país ficou em 58º lugar entre 65 nações no ensino de matemática – a grande maioria dos alunos brasileiros sabe somar, subtrair, multiplicar e dividir, mas ainda não consegue aplicar esses conceitos no dia a dia.

As escolas brasileiras avaliadas pelo Movimento Todos pela Educação mantêm desde 2007 resultados consistentes e acima da média nacional nas questões de matemática da Prova Brasil, feita a cada dois anos para analisar a qualidade das turmas de 5º e 9º ano do ensino fundamental e de 3º ano do ensino médio. O levantamento revela que alunos dessas escolas têm desempenho similar aos de instituições de ponta, como os colégios militares, federais e de aplicação.

Critério de escolha
O critério de seleção usado no cruzamento de dados foi a porcentagem de alunos do 9º ano do ensino fundamental – idade ideal entre 14 e 15 anos – com aprendizado adequado em matemática acima de 45% na Prova Brasil de 2007, superior a 60% na edição 2009 e maior que 70% em 2011.
Em 2011, a meta esperada para o Brasil nesse quesito era de 25,4%, mas a média nacional ficou em 16,9%. Tendo desempenho acima de 70%, essas escolas já atingiram a meta do Movimento Todos pela Educação para 2021 para o aprendizado em matemática no 9º ano.

Seguindo os critérios acima, foi possível chegar a um grupo de dez escolas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. No Norte e no Nordeste, as escolas públicas acima das metas são federais, militares ou de aplicação, afirma o Todos pela Educação. Segundo Priscila Cruz, diretora executiva do movimento, as instituições destacadas nesse levantamento mostram que fazer o trabalho básico no ensino pode dar bons resultados. "Elas fazem muito bem feito o básico e conseguem avançar, às vezes mais do que aquelas que ficam inventando coisas mirabolantes", diz.

Para descobrir os detalhes sobre os projetos pedagógicos desse grupo de escolas municipais e estaduais, o G1 entrevistou professores e diretores. Em comum, as instituições têm o fato de serem pequenas, com menos de 100 alunos matriculados no 9º ano. Elas representam, portanto, o perfil médio das escolas do país – a média de matrículas nessa série foi, em 2011, de 70 alunos.

Veja as cinco principais medidas destacadas pelas escolas no levantamento:

1) Não deixar nenhum aluno para trás
O principal foco das escolas é "não deixar o aluno para trás". As instituições ouvidas pelo G1 não fazem vestibulinho nem selecionam os alunos por desempenho acadêmico. Porém, elas dizem que mantêm o hábito de estar sempre atentas aos estudantes – novos ou antigos– que apresentam dificuldades nas aulas. Em matemática, a criança precisa aprender todo o conteúdo de uma etapa para ir para a fase (série) seguinte. Se não aprender cada um desses passos, vai se perdendo no processo ao longo dos anos.

Continuidade no trabalho com os estudantes em todo o ensino fundamental e apoio aos que têm dificuldade são alguns dos segredos por trás do sucesso que a Escola Municipal José Negri, de Sertãozinho (SP), tem obtido nos últimos anos. Em 2011, 80,7% dos estudantes tiveram desempenho adequado em matemática na Prova Brasil – muito acima da meta do país para 2011, de 25,4% dos alunos.

Lá, além de aulas clássicas de matemática, os alunos estudam no laboratório de informática. Eles também são "avaliados internamente de várias formas, com provas individuais, mensais e bimestrais, exercícios resolvidos em casa e em sala de aula". Um dos caminhos seguidos pelos professores para garantir a fixação do conteúdo é partir do concreto para o abstrato, explica a diretora Inês Angélica Servidoni Nogueira Cabril, de 74 anos. Assim, segundo ela, o aluno constrói o conhecimento através de situações-problema.

Na Escola Estadual Francidene Soares Barroso, de Itamarati (AM), das oito aulas semanais de matemática para alunos do ensino fundamental e médio, duas são específicas para um melhor desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e duas para a olimpíada de matemática da instituição. "Fazemos acompanhamento a cada prova aplicada. Os professores que trabalham com ensino da matemática têm formação com cursos específicos e trabalham em cima das competências cobradas na Prova Brasil", afirma Gleice Menezes, diretora da escola há 15 anos.

Os alunos que não acompanham a turma têm aulas de reforço. O colégio, porém, conta com um poderoso aliado. "Os estudantes são muito interessados, sempre dizem que gostam mais de matemática e se identificam com a matéria. Nosso desafio agora é envolver mais as famílias, o que ainda é um problema para nós", diz Gleice.

Desde as séries iniciais do ensino fundamental da Escola Municipal Professor Doriol Beato, de Conselheiro Lafaiete (MG), os alunos são livres para participar de atividades extraclasse de reforço, caso tenham dificuldade de aprendizagem específica em matemática. "Só vem o aluno que quer estudar", diz a diretora Maria Cristina de Moura Fernandes, que está na escola há 22 anos e já atuou como coordenadora e pedagoga do colégio. Em 2011, o Doriol teve 76,6% dos alunos com o aprendizado esperado na área.

Na Escola Municipal Pastor Hans Müller, localizada em Joinville (SC), a evasão escolar e o rodízio de professores são muito baixos. Atualmente, são 830 alunos. Quem entra no 1º ano costuma ficar até o 9º e concluir o ensino fundamental. Na grade curricular, os alunos podem optar entre inglês e alemão. A boa infraestrutura é outra aliada: a instituição tem laboratório de informática, biblioteca, quadra coberta e auditório. "A escola é muito procurada por conta dos bons resultados que alcança. Temos uma demanda grande, há pelo menos 20 crianças na lista de espera para cada série", afirma a diretora Wally Maria Effting.

2) Incentivar os alunos já avançados
Várias das escolas que entraram no levantamento, por terem mais de 70% de seus alunos com aprendizado adequado em matemática em 2011, não se contentam apenas com a palavra "adequada". Por isso, os professores não só ajudam os alunos com maior dificuldade a acompanhar a turma, mas incentivam os estudantes com maior facilidade a continuar avançando em seu próprio ritmo. Uma das maneiras mais comuns de fazer isso é por meio das olimpíadas acadêmicas, principalmente a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep).

Para estimular o interesse de seus estudantes, a professora Sônia Ruschel Poersch, do Colégio Estadual Professor Jacob Milton Bennemann, do município de Feliz (RS), diz que tomou para si a tarefa de inscrever os alunos nas olimpíadas de matemática e que, apesar de alguns decidirem participar apenas "fazendo por fazer", ela afirma que outros já pegaram gosto pela competição, mas ainda não ganharam medalhas.

De acordo com Sônia, o que dá resultado é um trabalho constante de cobrança para que os estudantes façam exercícios, incluindo lições de casa várias vezes por semana, com pesquisa e apresentação de trabalhos. Suas ferramentas são velhas conhecidas de todas as gerações: o livro, o caderno, o giz e o quadro negro. "É um trabalho mais tradicional. Em matemática, tem que fazer exercício, assimilar, entender, fazer, fazer e fazer."

Em Sertãozinho (SP), o estudante Otávio Sarti Alves, de 13 anos, aluno da Escola Municipal Professor José Negri, coleciona medalhas em matemática. "A gente se esforça, mas a qualidade do ensino é o que mais conta", diz. "Perguntam se sou inteligente, mas acho que a inteligência depende do nosso esforço. Por isso, a gente tem que aproveitar as oportunidades que tem na escola."

Na edição deste ano, 19 estudantes da Unidade Escolar Teotônio Ferreira Brandão, escola municipal de Cocal dos Alves, no interior do Piauí, passaram para a segunda fase da Obmep, e 17 foram premiados – um com medalha de prata, cinco com bronze e 11 com menções honrosas. Segundo o diretor do colégio, João de Brito Amaral, os professores vão à escola aos sábados para tirar dúvidas dos alunos, que são incentivados a criar grupos de estudos.

Principalmente no segundo semestre, e em anos de aplicação da Prova Brasil e outras avaliações, a escola também instituiu um sistema de reforço escolar no contraturno (período inverso àquele em que o aluno está matriculado), no qual alunos do 9° ano são convidados a atuar como professores dos mais novos. "Eles têm uma linguagem até mais acessível aos estudantes das séries menores. A gente só conta com dois professores de matemática para dar apoio", disse Amaral, enfatizando que a escola cumpre todo o currículo obrigatório, e não apenas os conteúdos que caem na Prova Brasil. Em 2011, 89,5% dos alunos do 9° ano apresentaram desempenho adequado na avaliação do MEC.

De acordo com o rendimento dos alunos da escola José Negri, em Sertãozinho (SP), no contraturno eles têm a possibilidade de estudar de maneira focada. "Temos aulas que chamamos de apoio, no período contrário, para alunos com dificuldades. E também aulas de projetos de olimpíadas para os estudantes avançados. Na sala de aula, há ajuda mútua entre eles: os mais avançados procuram ajudar os que têm maior dificuldade", explica a diretora Inês.

Um dos alunos que acabaram se destacando na escola foi Otávio Sarti Alves, que conquistou uma medalha de ouro na Obmep de 2013.

3) Estabelecer laços fortes com os pais
O envolvimento dos pais é um dos fatores citados por professores e diretores dos colégios ouvidos pelo G1 como causa direta dos bons resultados. Na Escola Estadual Dom Aquino Correia, em Juruena (MT), cidade de 12 mil habitantes e distante 900 km da capital Cuiabá, quem elege o diretor é a própria comunidade escolar. Edilso Bratkoski afirma que cumpre seu segundo mandato e, em 2014, deixará a diretoria para voltar a lecionar química e ciência.

Marlene de Paula Freitas, que dirige há cinco anos o Educandário Evangélico Ebenézer, em Gurupi (TO), explica que tenta incentivar os professores e fortalecer parcerias com os pais. Entre os projetos que envolvem as famílias, está o Tarefa de Casa, que incentiva os alunos a fazerem lições de casa com frequência. "Toda criança precisa fazer a tarefa. Se não fizer, tem que ficar 10 ou 15 minutos depois da aula para fazê-la", conta Marlene.

Além da checagem rigorosa do comprometimento dos estudantes com a lição de casa, os professores do educandário ficam de olho no desempenho geral de seus alunos. "Quando a professora percebe que a criança está ficando relapsa, desmotivada, a gente liga para a mãe e faz convite para vir à escola – não deixa só para o final do ano". O mesmo acontece, segundo a diretora do Ebenézer, na hora de identificar e reduzir as deficiências dos alunos novos, caso eles cheguem à escola atrasados em relação aos demais colegas.

A Escola Municipal Professor Governador Portela, de Miguel Pereira (RJ), foi inaugurada em 1942 para atender os funcionários da Estação Ferroviária Miguel Pereira, que funcionou até 1996 no distrito de Governador Portela. O colégio esteve em operação por 55 anos, ficou desativado por dois e foi reabertao pela prefeitura em 2000, no mesmo endereço – um prédio histórico. Na Prova Brasil de 2011, 89,7% dos alunos do 9° ano tiveram desempenho adequado em matemática.

Segundo o diretor Vladimir dos Santos Barros, o respeito adquirido no passado pela escola se mantém entre os alunos, professores e a comunidade até hoje. São 200 alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental, muitos deles têm pais que também estudaram no colégio. "Os pais são muito engajados. Fazemos eventos envolvendo as famílias, o que ajuda a melhorar a qualidade do ensino. A receita é simples: há um compromisso de família, escola e corpo docente com a educação", afirma Barros.

Já a comunidade da escola catarinense Pastor Hans Müller é tão engajada, que os professores se voluntariam para dar aulas de reforço no contraturno escolar. Atualmente, o pai de um dos alunos também faz isso, mas em anos anteriores já houve participação de estudantes do ensino médio de escolas particulares da região. Ainda no período inverso ao das aulas regulares, os estudantes têm como opção atividades como aulas de dança, capoeira e italiano.

4) Recursos e programas do governo
O Educandário Evangélico Ebenézer, do Tocantins, tem, além do desempenho acima da média na Prova Brasil e de uma colocação privilegiada entre as 50 melhores escolas públicas do Brasil no Ideb, 70% das medalhas em olimpíadas do conhecimento conquistadas por estudantes do estado, diz a diretora Marlene.
Com os bons resultados, vieram também os bônus por desempenho a professores, alunos e até funcionários que cuidam da limpeza e da merenda. A escola também aderiu a programas dos governos. Por causa de um deles, conseguiu mais de 600 laptops, que os alunos usam tanto na escola quanto em casa.

Na escola Dom Aquino, de Mato Grosso, o foco da equipe gestora é trabalhar a leitura e interpretação de texto com os alunos, o que também resulta em bons resultados em matemática. Mas o incentivo está ancorado em infraestrutura: para incentivar a leitura entre os mais de mil estudantes da escola, entre ensino fundamental e Educação de Jovens e Adultos (EJA), a biblioteca é bem "recheada". São quase 9 mil títulos, além de revistas e gibis. "Costumamos comprar livros que os alunos indicam e, em média, fazemos 120 locações por dia." Os professores também levam para salas de aula uma "caixa de leitura", com alguns livros que os alunos leem durante os intervalos.

A diretora Wally Maria, da escola Pastor Hans Müller, em Joinville (SC), destacou a baixa rotatividade de docentes como um indicador de qualidade. "Os professores são concursados e permanecem por muitos anos na escola. Isso permite que eles conheçam bem as crianças e as acompanhem durante os nove anos. Os pais também são muito presentes e ajudam a cobrar as tarefas em casa", afirmou.

A cooperação entre professores também dá resultados. Na escola mineira Doriol Beato, os alunos com dificuldades em matemática têm dois professores à disposição: o regular, da sala de aula, e o "recuperador", que ensina no contraturno. "Há um trabalho de equipe: um professor sempre dá continuidade ao trabalho do outro na série seguinte", afirma a diretora Maria Cristina, da Escola Estadual Pio XII, de Bom Princípio (RS). - Fonte
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